Cyrela na mídia

27/11/2018

6. ENTREVISTA: MERCADO IMOBILIÁRIO ESTÁ PRESTES A INICIAR NOVO 'BOOM', PREVÊ ELIE HORN

Fonte: Agência Estado

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"Após superados anos de crise e com os distratos
resolvidos, não tem mais nenhum problema que irá segurar o boom imobiliário",
disse, em entrevista ao Broadcast.
Ele contou que a companhia já sente os efeitos da recuperação econômica do País
e acumula em torno de R$ 800 milhões em vendas de outubro a novembro de
2018, montante que equivale a 90% das vendas de todo o quarto trimestre de
2017. "Há muito tempo não tínhamos esse sabor. É muito gostoso ter clientes na
porta, vender e assinar contratos", afirmou. Neste trimestre, a Cyrela lançou dois
empreendimentos de alto padrão, avaliados em cerca de R$ 800 milhões. Um
deles fica na região do Ibirapuera, em São Paulo, e reúne apartamentos, salas
comerciais e um mini complexo hospitalar. O outro é um projeto residencial no
Morro da Viúva, Rio de Janeiro.
Para 2019, a expectativa é de crescimento e diversificação das operações
imobiliárias, aproveitando o início do novo ciclo. A incorporadora lançou neste
ano uma nova marca, a Vivaz, com foco em empreendimentos populares, dentro
do Minha Casa Minha Vida, que deve responder por aproximadamente 30% dos
novos projetos, em média, nos próximos cinco anos. "Temos que vender bastante
e aproveitar todas as faixas do mercado possíveis. Erramos ao atrasar a entrada no
Minha Casa Minha Vida, mas finalmente entramos. Esse mercado é a cara do País",
salientou, referindo-se ao fato de que o programa habitacional responde por dois
terços das unidades residenciais comercializadas no Brasil.
Horn também se diz animado com o futuro governo de Jair Bolsonaro (PSL) e
classificou sua equipe econômica como "sensacional". O empresário se aproximou
do futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, há cerca de dois anos, em um
investimento conjunto para criação da Hospital Care, holding voltada para a
compra e administração de hospitais no País. Os aportes foram feitos pelo fundo
Abaporu, da família Horn, e pela gestora Bozano Investimentos, onde Guedes era
sócio e da qual está se desligando para assumir o cargo público a partir de janeiro.
Embora continue indo diariamente à Cyrela, Horn, de 74 anos, se afastou das
tarefas executivas do dia a dia e passou o bastão da presidência para os filhos
Raphael e Efraim. Atualmente, a maior parte do seu tempo - em torno de seis
horas por dia - está voltada para a prática do judaísmo, da filantropia e em
reuniões com outros empresários em busca de doações para causas sociais. Em
parceria com Rubens Menin, controlador da MRV, Horn lançou neste mês a ONG
"Bem Maior", que atuará na conscientização e na mobilização da sociedade civil
para fomentar ações sociais. A meta do movimento é dobrar a participação das
doações empresariais em relação ao PIB brasileiro nos próximos dez anos,
passando de 0,2% para 0,4%. O próprio empresário está puxando a fila, e já
anunciou o compromisso de doar em vida 60% de sua fortuna estimada em R$ 3
bilhões para caridade, especialmente iniciativas de combate à prostituição infantil
e à pobreza.

Além disso, Horn faz tratamento contra o Mal de Parkinson, doença que o
acomete há quase seis anos. Na conversa com a reportagem, ele mesmo tocou no
assunto com naturalidade. Perguntado se sente-se bem de saúde, a resposta foi
direta. "Sim. E tenho a opção de não me sentir bem? Sou um otimista", pontuou.
Veja a seguir os principais trechos da entrevista:
Broadcast: Qual sua expectativa para o País em 2019 ?
Elie Horn: Estou animadíssimo. A equipe técnica do governo é muito boa, a
equipe econômica é sensacional. Acho que estamos vivendo uma virada. Nos
últimos dois meses, temos vistos muitos lançamentos e muitas vendas. Os
números são muito bons. Tudo nos leva a crer que teremos ótimos quatro anos.
Broadcast: O senhor acredita que o governo tem capacidade de colocar em
prática as reformas estruturais e acelerar o crescimento da economia?
Elie Horn: O governo depende da economia. Ele não tem como se sustentar sem
um bom resultado da economia. E como a equipe técnica é muito boa, acredito
que vai dar certo.
Broadcast: Há apoio suficiente no Congresso para o que a equipe técnica
pretende fazer?
Elie Horn: Eu sou um otimista. Nasci otimista. Se for pessimista, não se faz nada
na vida. O otimista apanha, mas faz. O pessimista não apanha, mas não faz.
Broadcast: A melhora esperada para o País vai chegar de modo relevante ao
setor imobiliário?
Elie Horn: Com certeza. O setor imobiliário depende do País. Se o País vai bem, o
setor também irá.
Broadcast: Com base nesse otimismo, o senhor planeja crescimento das
operações da Cyrela no próximo ano?
Elie Horn: Se Deus quiser, vai ter crescimento. O último bimestre está indo muito
bem. Nós vendemos em torno de R$ 800 milhões neste bimestre de outubro a
novembro. Há muito tempo não tínhamos esse sabor. É muito gostoso ter clientes
na porta, vender e assinar contratos.
Broadcast: E como estão os efeitos dos distratos?
Elie Horn: O distrato é uma tristeza econômica, política e até moral, pois não é

normal que o vendedor receba o apartamento de volta depois de vendido. O
incorporador toca as obras com o valor recebido das vendas. Se tem que devolver
o dinheiro do apartamento de volta, como fica? A empresa morre. Só
sobrevivemos por milagre. Temos um caixa sólido e bom planejamento, mas
muitas empresas não sobreviveram.
Broadcast: O senhor ficou satisfeito com o teor da lei dos distratos? O projeto
aprovado semana passada no Senado e que agora segue para a Câmara prevê
multa de até 50% para o comprador do imóvel que optar pela rescisão do
negócio. Até então, a multa era decidida por juízes e oscilava entre 10% e
25% na maior parte dos casos.
Elie Horn: Se for aprovado, sim (risos).
Broadcast: Se a lei de distratos for mesmo aprovada, quais seriam as
consequências imediatas para o setor?
Elie Horn: Nós aumentaríamos os investimentos imobiliários. A regulamentação
destrava decisões de investimento ao se gerar mais confiança e garantias. É uma
virada de mesa. Daria início a um novo ciclo para o setor. Após superados anos de
crise e com os distratos resolvidos, não tem mais nenhum problema que irá
segurar o boom imobiliário. Só gostaria que esse boom não fosse tão grande
quanto no passado. Nós crescemos 100% ao ano por dois anos seguidos lá trás.
Isso foi muito indigesto.
Broadcast: Os problemas desse crescimento exagerado afetam o balanço da
empresa ainda hoje. Isso está superado?
Elie Horn: Infelizmente tivemos problemas do passado com sócios e
empreendimentos locais (fora de São Paulo, local de origem da Cyrela), que
mexeram com os resultados da empresa. Espero que não tenhamos mais
surpresas negativas. E também tivemos muitos distratos, que afetaram os
resultados. Foram R$ 9 bilhões de imóveis em distratos nos últimos cinco a seis
anos, isso é uma fortuna. Uma empresa só aguenta isso se for muito bem
preparada financeiramente. Acho que a partir de 2019, sem mais surpresas
negativas, iremos entrar em resultados positivos por muito tempo.
Broadcast: Como a Cyrela vai se posicionar neste potencial ciclo de
crescimento?
Elie Horn: Temos que vender bastante e aproveitar todas as faixas do mercado
possíveis. Erramos ao atrasar a entrada no Minha Casa Minha Vida, mas finalmente

entramos. Esse mercado é a cara do País. Até alguns poucos meses atrás, as únicas
empresas do setor que ganhavam dinheiro eram aquelas que trabalhavam no
MCMV.
Broadcast: Há segurança de que o novo governo dará continuidade ao MCMV
sem solavancos?
Elie Horn: O MCMV e o Bolsa Família sustentam uma grande parte da população.
São dois projetos que não devem cair. E quem não fizer o MCMV corre o risco de
ficar alienado, porque o programa já responde por mais da metade do mercado. É
preciso ter boa engenharia e capacidade de se adaptar. Olhando o futuro da
Cyrela nos próximos cinco anos, acreditamos que os lançamentos do MCMV sejam
em torno de 30%, enquanto os projetos de médio e alta padrão, 70%. Mas isso
pode variar, não temos a obrigação de respeitar as vírgulas. Vamos ser moldáveis,
tudo dependerá do momento do mercado.
Broadcast: Vocês consideram retomar uma expansão geográfica e entrar em
novas praças além de São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre?
Elie Horn: Não está em nossos planos abrir novos escritórios.
Broadcast: E como está o apetite dos bancos para o financiamento
imobiliário?
Elie Horn: Vejo que está muito bom. Para nós, nunca faltou dinheiro. O repasse de
clientes para o financiamento é que estava mais restrito, mas agora está ficando
melhor.
Broadcast: E qual o cenário para a Cyrela Commercial Properties?
Elie Horn: Ela está quieta. Não convém construir prédios de escritório porque esse
mercado ainda está muito fraco. Há seis anos alugávamos prédios por R$ 160/m2,
e hoje está em torno de R$ 130/m2. Saímos de logística, e esse setor também
ainda não está bem. O aluguel caiu de R$ 23/m2 para menos de R$ 20/m2. Não
planejamos voltar. Em shoppings, o rendimento está melhorando bem. Mas a CCP
vai continuar quietinha e só despertar quando o príncipe encantado aparecer. Fora
isso, também tenho outros assuntos para compartilhar que não são do imobiliário.
Temos uma nova ONG.
Broadcast: Qual o objetivo da nova ONG?
Elie Horn: Ela se chama "Bem Maior" e engloba um conjunto de dez causas, como
combate à pobreza, defesa do meio ambiente, ataque à corrupção na política,

auxílio aos idosos, e assim por diante. A ideia é promover a cultura da doação e
cutucar o povo brasileiro a doar mais. Nossa meta é multiplicar por dois o PIB
social brasileiro, de 0,2% para 0,4%. Já temos uma presidente para a ONG, que é a
Carola Matarazzo. Ela foi presidente da Liga das Senhoras Católicas por 18 anos,
tem muita experiência. Quem não doa dinheiro, não doa dedicação de si, não doa
o que puder, vai sofrer na alma. O dinheiro foi feito para gerar prosperidade. A lei
de Deus é dar, não só guardar. 

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